Selex

A ENACOM apoia desde 2011 uma iniciativa da UFMG e do TJMG para reinserção de jovens em conflito com a lei. Aluno do curso de Sistemas montam atividades de engenharia para treinar e reintegrar os jovens. Melhor que a gente falar, são eles. Com a palavra Thúlio, um dos monitores do último semestre!

“Um Universo Paralelo ao meu
Thúllio Debortoli Moreira Zanetti
É muito bom olhar para trás e perceber que participar do SELEX me tornou uma pessoa melhor. Pequenez a minha ao achar, no inicio do semestre, que eu poderia participar do Selex apenas para conseguir os créditos necessários para um grupo específico que o curso de Engenharia de Sistemas tem. Mal sabia eu que depois de um mês tendo contato direto com os jovens eu teria esquecido destes créditos, e quando acabasse as oficinas seria surpreendido por ganhar um diploma de conclusão de um curso de 45 horas, mas sei que serão muito mais horas, pois são experiências como essa que levamos para o resto de nossas vidas, e é por isso que espero continuar no Projeto o máximo de tempo possível.

Toda essa experiência começa já no primeiro dia de oficina. O choque de realidade ao ver os jovens chegarem totalmente dopados dos centros(que se dizem socioeducativos, mas são como prisões para menores), e não conseguirem nem falar direito quando tiveram que fazer uma atividade de recreação começou a fazer uma desconstrução de algumas opiniões que levava comigo. Opiniões estas que seriam totalmente reconstruídas ao final do Selex depois de ouvir as mais diferentes histórias, vindas tanto dos jovens quanto dos mais velhos de SELEX, sobre como os jovens são tratados nos centros, ou casos de violência sofridos ou cometidos.

Presenciando tudo isto me fez perceber que os jovens vivem em quase que um universo paralelo ao meu, mas um universo que eu posso ir a pé. Parece até mesmo que falamos idiomas diferentes(demorei uma oficina inteira para descobrir o que era “P2”), mas a comunicação com alguns era até fácil, pois gostavam de falar sobre assuntos específicos. Estes universos tão diferentes até mesmo atrapalharam o andamento das oficinas algumas vezes, pois os jovens se reuniam entre eles e era difícil “enturmar” com qualquer um, mas também foi um problemas nosso(participantes do SELEX), pois faltou esforço para deixar os jovens entretidos nas atividades propostas, assim espero melhorar neste ponto nos próximos SELEXs que virão.

É fácil ver como o SELEX foi uma experiência totalmente diferente do que as que eu estava acostumado a fazer, nos últimos 4 anos praticamente tive contato apenas com projetos de exatas(tanto no curso técnico quanto na UFMG) e o SELEX é o primeiro projeto humanístico que participo, e é bom ver que ele me “humanizou” e me tornou uma pessoa melhor(pelo menos na minha visão), e pretendo que com as melhorias necessárias o próximo SELEX seja melhor, traga mais experiências e que eu consiga fazer alguma diferença nas vida dos jovens como eles fizeram na minha.”

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